Retornando ao arquivo colonial: vestígios civilizatórios na missão militar de instruir e sanear populações pesqueiras no Brasil

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Resumo

Sob quais argumentos propõe-se uma missão militar de colonizar uma população, identificando seus modos de vida e práticas de trabalho como obsoletas, apresentando-lhes formas de ser e viver exógenas, para que possam ser considerados pertencentes a uma nação? É com essa inquietação que retornamos ao arquivo colonial da Marinha brasileira, que registra a criação das primeiras colônias de pescadores no Brasil, na primeira metade do século XX, com a premissa de “instruir e sanear” os pescadores brasileiros, “libertando-os” assim de seus modos de vidas arcaicos para uma vida moderna e civilizada. Essas representações e imaginários sociais sobre o pescador ganharam relevo, definindo-os como um grupo atrasado e que precisava ser civilizado. Através da análise de discurso, este trabalho tem como objetivo provocar outro olhar sobre a história registrada, buscando perscrutar os vestígios civilizatórios a fim de compreender o que esse discurso justifica. Dialogaremos com autores anti-coloniais e pós-coloniais, na perspectiva de confrontar o modelo totalitário/hegemônico de modernidade que tinha como premissa a supressão de outros modos de vida, como de povos tradicionais, e ainda como esses discurso utiliza-se do eixo racial para a perpetuação da sua estrutura de poder.

Biografia do Autor

Carolina de Oliveira e Silva Cyrino, Universidade Federal do Rio Grande do Sul Programa de Pós-Graduação em Sociologia

Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).  Pesquisadora vinculada ao NEAB/UFRGS. Bolsista do Programa de Excelência Acadêmica da CAPES. 

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Publicado

2021-12-14